TERMINUS PENDEO IN EXORDIUM
- O fim depende do início -
Os Transportes Urbanos em Coimbra remontam ao ano de 1874 com a introdução dos carros americanos.
Numa primeira fase a Câmara Municipal dá a concessão dos Transportes Urbanos de Passageiros
em carros americanos à Rail Road Conimbricense. Esta concessão termina em 1885, por iniciativa da
concessionária. Com efeito, a Rail Road Conimbricense, ao ver-lhe negada pelo município a possibilidade de
reduzir entre 40 a 60 reis o preço dos bilhetes, considerou não ter condições para superar a
concorrência do comboio, que entretanto tinha passado a gozar da preferência dos passageiros aquando da
entrada em funcionamento, naquele ano, do ramal de caminho de ferro no centro da cidade.
Mais tarde, em 1903, foi atribuída nova concessão dos Transportes Urbanos, desta vez à
Carris de Ferro de Coimbra, a qual deveria vigorar durante 30 anos. No entanto, esta concessionária, que
posteriormente se constituíra como Sociedade Anónima, passando a denominar-se então Companhia de
Carris de Ferro de Coimbra, por vicissitudes várias, mas sobretudo por razões de ordem financeira,
não conseguiu concretizar o projecto de grande relevo a que se tinha proposto: substituir a tracção
animal pela tracção eléctrica. Assim, a 6 de Março de 1908, o Conselho de
Administração da Companhia concessionária comunicou à Câmara Municipal que os
trabalhos de instalação do eléctrico eram interrompidos, em virtude da existência de
dificuldades financeiras que punham em causa o projecto.
A edilidade, confrontada com a falta de capacidade financeira da concessionária para proceder à
realização de projecto tão importante para a cidade, reuniu com a Comissão de Accionistas de
Coimbra. Dessa reunião resultou o acordo que conduziu à Municipalização dos
Transportes Colectivos Urbanos, pois foi considerado que apenas com a Municipalização seria
possível introduzir em Coimbra o transporte público movido por tracção eléctrica.
Foi, portanto, neste contexto conjuntural que, na sua reunião de 15 de Maio de 1908, a Câmara
Municipal toma a seguinte decisão pioneira em termos nacionais:
" (...) 1.º - Que se municipalize o serviço de tracção eléctrica;
2.º - Que se contraia um empréstimo de 150.000$00 reis..." (1)
Este constituiu o ponto de partida do Serviço Público de Transporte Colectivo Urbano no concelho de
Coimbra, o qual, ao longo de um século, contribuiu decisivamente para o seu desenvolvimento, garantindo a
mobilidade da população municipal, respondendo com elevados padrões de qualidade a quem procura o
transporte colectivo urbano.
Na verdade, foi, é e será com este espírito, marcadamente empreendedor e inovador, que os
Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra vivem o seu dia a dia resistindo às
adversidades relativas e na procura incessante de melhorar os níveis na prestação de um
serviço de cariz social e, por isso, essencial ao munícipe (todos os dias transporta dezenas de milhares
de pessoas para os seus empregos, escolas, hospitais, etc...), articulando-o com as necessidades actuais e prementes de
protecção do meio ambiente.
Em suma e parafraseando o Professor Doutor Marnoco e Sousa em 1908, "(...) não pode haver uma cidade
moderna, higiénica e progressiva sem meios de transportes fáceis e rápidos..."(2), bem como
ecológicos (acrescentamos nós). É de facto fascinante verificar a actualidade de um pensamento
visto à distância (temporal) de 100 anos!....
(1) (2) - Anais do Município de Coimbra, 1904 - 1919.
Coimbra, 15 de Maio de 2008

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